sábado, 23 de outubro de 2010

Ping-Pong

Neta de “merceeiro”, confesso-me com uma “paixão” pelo comércio.
Comecei por vender bolachas, mais tarde vendi dinheiro, material desportivo e roupa. Hoje, tenho a enorme alegria de vender cultura. (Cada vez é maior o desafio!).
O comércio é, para quem gosta. É preciso ter “pica” que poderei “traduzir” por espírito de serviço e capacidade de surpreender os clientes, excedendo as suas expectativas.
Na minha empresa, muito simpaticamente, chamam-me o “dinossauro” do comércio.
É verdade, já lá vão 17 anitos…

Nestes tempos de oportunidades o que ajudará o comércio a ter sucesso é, sem dúvida, a excelência do atendimento. Só deste modo é possível ter uma relação “afectiva” com os clientes e criar vínculos. Cada vez mais os produtos são os mesmos (ou muito parecidos) e os preços estão ajustados. A excelência do atendimento está principalmente dependente de factores comportamentais (soft skills) e não de conhecimentos técnicos (hard skills).

Eis o penoso atendimento num café da minha cidade (onde nunca mais voltarei). Entrei no café e, durante uns minutos, pensei: “Olá, estou aqui e sou cliente. Venho ajudar a pagar o seu ordenado”. A única funcionária que se avistava estava a ler, junto da caixa registadora. Quando finalmente se interessou por mim, eu disse: “Muito bom dia, um sumo de laranja natural e…”, não foi possível dizer mais nada porque a senhora virou costas e foi-se embora. “O que se passa?”, pensei. Percebi depois que a senhora tinha ido fazer o sumo e, voltou dai a pouco com o meu miminho matinal, num copo de papel. Regra de Ouro: pelo preço que se paga, um sumo de laranja natural “merece” ser servido num copo de vidro! “…um croissant com fiambre sem manteiga”, continuei eu sem, de novo, ter tempo para acabar a frase. (Gostava de ter pedido por favor). Desta vez já não me surpreendi: “a senhora foi preparar o croissant”, pensei. Quando voltou “disparou” a pergunta ameaçadora: “Mais nada?!”. Respirei fundo e limitei-me a sorrir. “É verdade, mais nada”. Não sei o que estava à espera que pedisse mais. Eram 10 horas da manhã de uma segunda-feira e eu queria apenas tomar um pequeno-almoço tranquilo. Bastava aquela senhora ter perguntado: “Deseja mais alguma coisa?” para este texto não ter sido escrito. Agradeci, bebi o meu sumo e fui comer o croissant para a rua. A minha paciência estava esgotada e não tinha vontade de ficar nem mais um minuto naquele café.

A semana estava a começar e da minha cabeça não saia um simpático encontro daquela 2ª feira, daqueles que me enchem o coração de orgulho: “Oh Dra., gostei de a ver e quero que venha para aqui para o pé da gente”. Estas foram as generosas palavras do pai de um amigo que reclama o meu regresso a Coimbra. Emocionada recordei as “tardadas” de ping-pong que joguei na sua casa, nos tempos de aluna da Brotero…

sábado, 9 de outubro de 2010

(Não) Sou Estrangeira

Tenho “ar de estrangeira” e, nesta altura do ano, muita gente fala comigo em inglês. É muito divertido!

Em criança, no colégio gozavam comigo por ter o cabelo tão claro. Em casa, perguntava à minha Mãe porque é que era tão diferente das minhas manas. A Rosarinho dava a melhor resposta possível: um sorriso! Os anos foram passando e eu cada vez me divirto mais por ter este “ar estrangeiro”.

Há dias, quando pedia o meu jantar num restaurante do Chiado, escutei: “Como a senhora fala pouco vi logo que era estrangeira”. O “meu” cozinheiro estava muito enganado. Para (não) ajudar à “festa”, no momento de pagar mostrei um daqueles horríveis (?!) cartões de pontos que pretendem fidelizar clientes. A exclamação que escutei foi imediata e, de novo, surpreendente: “Bem me parecia que a senhora apesar de portuguesa não vem a Portugal há muito tempo!”. O meu interlocutor chegou a esta “brilhante” conclusão porque o meu cartão de pontos já não está em vigor há anos. Não valia a pena contrariar: rendi-me! Seria difícil explicar que aquele era apenas mais um cartão perdido na minha carteira. Seria difícil explicar que sou apenas mais uma cliente que o “cartão mágico” não ajudou a fidelizar. Seria difícil explicar que apenas fui aquele restaurante porque o meu preferido estava fechado…

Neste meu verão com uma passagem por Espanha, num bar de praia na companhia de uma amiga sueca, pedi um café no meu melhor “castellano” (muito curioso porque tem uma mistura de sotaque português e catalão). Para minha surpresa, a simpática senhora respondeu-me em inglês. Eu, desiludida com os meus dotes linguísticos, disse-lhe: “Em inglês, não. Eu sou portuguesa e com uma portuguesa não se fala em inglês”. “É portuguesa? Não parece nada”, escutei. Para tornar este episódio ainda mais devastador para o meu ego, tenho que confessar que a minha amiga sueca fez o seu pedido antes de mim, em “castellano” e a senhora não lhe falou em inglês. “Afinal quem é que é sueca aqui?”, perguntei à minha amiga depois da minha derrota.

O episódio mais divertido acontece-me sempre na Alemanha. Quando, em trabalho, vou a este pais, antes de ter a oportunidade de falar algo em inglês, toda a gente fala comigo em alemão. Para me “defender”, aprendi a dizer no meu alemão possível: “ich bin ausländerin” (Sou estrangeira).

terça-feira, 3 de agosto de 2010

13,50 Euro

13,50 Euro foi o preço da minha última viagem. Desta vez dei um passeio ao longo das páginas do livro “Passaporte Viagens 1994 – 2008” maravilhosamente escrito por Maria Filomena Mónica (MFM) e editado muito recentemente pela Alétheia. O itinerário é muito tentador: O Islão Ibérico, Lisboa, Oxford, O Egipto, Porto: A Casa da Música, Istambul, Macau e Hong Kong, Évora: O Bairro da Malagueira, A Inglaterra Literária, Algarve: Being There, Fátima Fora de Horas, Viagem ao Fim da Pátria e Na Terra dos Meus (seus) Avós. MFM foi uma maravilhosa companheira de viagem. A nossa partida foi no dia 14 de Março e por muito pouco corríamos todos estes lugares no mesmo dia!

O Islão Ibérico - “andei de passeio” pela Andaluzia com Maria Filomena Mónica e aí descobri importantes sinais da presença árabe na nossa península. Lisboa - nesta cidade a minha companheira de viagem fez uma coisa muito gira: marcou um quarto num hotel para deste modo poder visitar aquela que é a sua cidade, com olhos de turista. (Seria giro para mim fazer o mesmo em Coimbra?). Oxford - aqui andei com a autora deste maravilhoso livro e com as suas netas a percorrer uma das cidades considerada como a mais bonita do mundo. Depois de ler (e passear) estas páginas, apetecia-me uma coisa muito simples: pegar nos meus livros (os que escrevo e os que leio) e ir a correr para o Aeroporto de Lisboa para apanhar o primeiro avião! Oxford tem que ser uma cidade a visitar muito em breve. (Ai vou escrever e estudar muito). Será que MFM tem consciência do grande privilégio que é ser doutorada pela Universidade de Oxford?! (Se inveja matasse…). O Egipto - à semelhança do que aconteceu com a minha companheira de viagem, junto das Pirâmides surpreendo-me com a “Policia das Antiguidades e Turismo”. Também procurei o Cairo de Eça de Queiroz mas nesta cidade aguardavam-me dois choques: a forma como as mulheres são desprezadas e a pobreza da sua população. À semelhança do que acontece com a socióloga que me acompanha também não me sinto atraída pela pobreza, o caos e a porcaria. Depois de ler as páginas do “Passaporte” confirmei o meu não-desejo de visitar este pais. (Com esta decisão alegro-me porque sinto que estou a poupar, ou melhor, a não gastar!). Porto: A Casa da Música - é com alguma vergonha que digo (e escrevo) que nunca fui à Casa da Música. Na verdade, para quem vai praticamente uma vez por semana ao Porto parece não existir uma (boa) desculpa. (Será preciso que Bethânia, Simone ou Zélia Duncan vão lá?). Depois de visitar a Casa da Música com Maria Filomena Mónica, fico com receio de também odiar esta “democrática obra” cujo orçamento inicial teve que ser multiplicado por sete (custou 112 milhões de euro e concluiu-se com quatro anos de atraso). Istambul - relativamente a esta cidade tenho sérias dúvidas se algum dia a visitarei apesar de a autora deste livro se ter confessado conquistada pela sua geografia. Macau e Hong Kong - contrariamente ao que aconteceu com a Sra. Professora não é o jogo que me atrai a Macau mas sim descobrir o que resta da presença portuguesa nesta cidade. Desejo visitar Hong Kong porque segundo se diz “esta cidade vertical é única”. Évora: O Bairro da Malagueira - muito em breve também eu me irei assustar (e desiludir) com este bairro da autoria do mais famoso arquitecto português. A Inglaterra Literária - ao percorrer as páginas deste livro compreendo porque é que visitar a casa dos nossos escritores preferidos é tão giro: ver a caneta com que escreviam, a cadeira onde se sentavam e a vista que tinham à sua frente. Foi delicioso descobrir aquela cidade (Hay-on-Wye) onde todas as lojas vendem o mesmo: livros! Algarve: Being There - assustei-me com o Algarve do mês de Agosto e revi dois “Allgarves”: o dos pobres e o dos ricos. Fátima Fora de Horas - não foi para mim uma surpresa concluir que gosto mais de ir a Fátima do que a minha acompanhante. No entanto, coincidimos em duas opiniões: não gostamos dos desequilíbrios que encontramos neste lugar e gostamos muito do restaurante Tia Alice! Viagem ao Fim da Pátria - também gosto muito de passar para o pais vizinho e também adoro a abolição das fronteiras por essa Europa fora. Na Terra dos Meus Avós - este passeio por Águas Belas (terra dos avós paternos de MFM) fez-me recordar Lograssol e Podentes. Destes dois lugares guardo as mais bonitas recordações…

Depois de gastar 13,50 Euro gastarei certamente muito mais para visitar ou, nalguns casos, revisitar os lugares descritos ao longo das saborosas páginas de mais este livro (da minha vida).

Estou completamente de acordo com Maria Filomena Mónica e também eu “…em vez de turismo gosto de voltar a sítios onde me sinto em casa…”.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Minha Pasta Azul

O texto desta semana é um inventário de (quase) tudo o que anda(va) na Minha Pasta Azul. Esta pasta é bastante desportiva, foi comprada há cerca de 10 anos em Barcelona e acompanha-me para todo o lado. Há muito tempo que estava pensado (e prometido) um texto sobre A Minha Pasta Azul.

Primeiro bolso – aqui encontro chaves e dois carregadores de telemóvel; as chaves vão continuar a andar comigo embora não saiba o que abrem todas elas; um dos carregadores continuará dentro da Minha Pasta Azul mas, o outro passará a ficar em casa.

Segundo bolso – aqui encontro dois envelopes com fotos da Festa da Mãe, tiradas em Abril do ano passado; o que é que estas fotos andam a fazer na minha pasta durante todo este tempo?! Encontro também um rolo de fita-cola que continuará a acompanhar-me porque escrevo o meu Diário ao longo dos meus caminhos e muitas vezes preciso de colar recordações. Encontro ainda duas cartas enviadas pelo banco há cerca de dois anos atrás; estas entraram na pasta em Coimbra, com destino a Lisboa mas, acabaram por nunca sair de dentro do azul. As minhas descobertas continuam e desta vez encontro-me com uma pen drive de 1 GB acompanhada pela respectiva fita para trazer ao pescoço; esta pen continuará a andar comigo embora não tenha a mínima ideia do que terá gravado; a fita fica com a pen mas, as outras duas fitas que também encontrei vão sair deste “armazém”. Descobri um pequeno bloco de um banco onde encontro uns escritos. Tenho o vicio de escrever um pouco por todo o lado e por vezes demoro meses (ou anos) a (re)encontrar-me com os meus apontamentos. Para o final o mais surpreendente: carrego na Minha Pasta Azul 47 esferográficas, um marcador e um lápis; parece incrível mas, é verdade! (Tenho algumas testemunhas que já tinham assistido a esta contagem); 37 esferográficas de hotéis distribuídas por oito hoteis em três paises diferentes; 5 esferográficas de empresas distribuídas por quatro empresas diferentes; 1 esferográfica de um jornal; 1 esferográfica de uma campanha politica e 3 esferográficas neutras; não foi nada fácil escolher as 6 esferográficas que vão continuar a andar comigo; daqui a uns meses certamente que se terão, de novo, multiplicado!!! Tenho duas opções para diminuir o meu “património esferográfico”: começar a devolver esferográficas aos hotéis ou começar a oferecer esferográficas nos Aniversários e no Natal!

Bolso principal – Aqui está o maior peso. Encontro um velho dossier vermelho que não sei porque ainda me acompanha mas, que gosto de ter por perto porque tem um cartoon muito giro na capa. Este dossier vai continuar a andar comigo! Encontro um suplemento de um semanário com data de 27 de Maio de 2006, sobre o tema Seguros. Brilhante! Há quase três anos que me acompanha mas, hoje vai terminar no saco do papel para reciclar. Descubro 15 folhas com o Roteiro Turístico de Penela. Ando sempre com vontade de fazer a (re)descoberta turística das minhas origens. Estas folhas também vão sair da pasta hoje! Surpreendo-me com a embalagem do meu leitor de MP3 com todos os seus acessórios. Deparo-me com um boletim semestral da Acreditar, de Setembro de 2007. O meu carinho por esta Associação levou-me a transportar comigo este boletim durante cerca de 18 meses! Reencontro um velhinho caderno de apontamentos que foi comprado nos meus tempos de estudante. As poucas páginas que ainda sobrevivem vão continuar a andar comigo. Para minha surpresa aqui não encontrei nada escrito! Folheio a minha super-agenda de tamanho A4 que me acompanha para todo o lado. Releio o meu super-diário também de tamanho A4, que me acompanha sempre e ao longo de cujas páginas vivo. O actual diário começou em Lisboa no dia 19 de Setembro de 2008 e terminará um dia em qualquer sítio. Estudo o Livro das Contas, de tamanho A5, que me acompanha para todo o lado e onde anoto religiosamente todos os cêntimos que gasto. Nas páginas do actual livro tomo (e gasto) notas desde 1 de Agosto de 2006. Faço isto há anos, anos,… e anos! Descubro um pequeno livro, quase terminado, com alguns apontamentos antigos de gestão doméstica. Vai continuar comigo. Encanto-me com o Livro das Viagens: este é o mais novo livro que comecei a escrever e onde dou bonitos passeios. A sua estreia foi em Évora mas, é meu desejo continuar a enchê-lo e a saboreá-lo. O último livro que mora na parte principal da minha pasta é este livro onde “cozinho” os meus textos para “O Despertar”: 55 textos depois este livro está quase no fim. (O próximo já está em cima da mesa e muito em breve será “empastado”). Este inventário entra (finalmente) na sua recta final: ainda encontro um velhinho telemóvel que está quase sempre desligado (ficará a partir de hoje em casa a fazer companhia ao seu carregador). Encontro uma daquelas fitas de pescoço que me perseguem, relativa a uma reunião em França onde estive no mínimo há 7 anos atrás. (Mon Dieu!!!). Encontro a minha máquina de calcular de estimação (que faz as minhas contas desde os meus tempos de estudante). Encontro 25 pequenos blocos: quase tão grave como as esferográficas! Desta vez são 4 os hotéis “fornecedores” e todos eles em Portugal. A partir de hoje apenas me acompanharão 4 pequenos blocos (1 de cada hotel) mas, daqui a uns meses a Minha Pasta Azul estará de novo com lotação esgotada. Encontrei um mega-bloco de post-it que ficará cá em casa. Por último encontrei uma velhinha agenda digital, comprada há 10 anos e que fez nesse tempo as minhas delicias de “viciada” em tecnologia. Hoje não a conseguia ligar mas, depois de mudar as suas pilhas e de a voltar a pôr a funcionar, encantei-me com o que encontrei...

O texto (inventário) está terminado, a Minha Pasta Azul está mais magra e eu estou mais leve. Transportar esta pasta tem sido equivalente a transportar um armário lá de casa!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Off

Esta manhã encontrei a minha simpática vizinha do lado, da casa de Lisboa. Sempre que a vejo “faço uma festa” pois isto acontece, em média, uma vez por trimestre. (Neste meu período pré-férias prometo-me começar a parar mais na capital). A minha jovem vizinha tinha uma dúvida e contava com a minha ajuda: “Temos antena de TV no prédio?”, queria saber. Eu sou a habitante mais antiga deste edifício mas, de repente, fiquei com dúvidas. “Parece-me que sim”, respondi. Acabei por confessar que tenho em casa uma televisão que é uma TV-Rádio. TV-Rádio?!, o que é isso?! Pois bem, passo a explicar: tenho uma velhinha televisão a preto e branco que, para funcionar, apenas tem que ser ligada à electricidade. O meu “moderno aparato” tem uma antena que se estica como as antenas dos velhinhos rádios. Deste modo, nasce na minha casa um autêntico “milagre a preto e branco”. A minha vizinha achou graça à minha originalidade (assim o desejo) e acabou por concluir o óbvio: iria falar com o administrador do prédio para tirar a sua dúvida. Nestes tempos de crise fiquei a saber que há neste prédio uma cliente menos da TV Cabo. Nestes tempos modernos quando se deixa de ter este tipo de serviço, fica-se sem televisão. Há muito tempo que não me sentia privilegiada com a minha velhinha TV-Rádio!

Quando vivi em Viseu via, muito raramente, televisão em casa da minha senhoria. Quando vivi em Glasgow tinha em casa uma televisão de aluguer. A Maria, o Javi, o Aitor e eu pagávamos 2 libras por mês e melhorávamos o nosso inglês vendo os programas infantis. Recordo que nesse tempo nos “rebolávamos a rir” com o Mr. Bean! Em Barcelona vivi sempre sem TV. Se fosse possível alugar, acho que o teria feito mas, acabei por frequentar alguns cafés (o mais frequente no rés-do-chão do meu prédio). Sempre que havia um “partido de futebol” lá ia eu ao café ver o jogo, beber uma colinha e comer “un bocata de tortilla francesa”. Na minha primeira casinha lisboeta tinha uma TV que era da amiga com quem vivia mas, muito raramente, era ligada. Na casinha de Telheiras tenho esta TV-Rádio emprestada pelos Pais. Já lá vão 8 anos…”Fica comigo até comprar uma”, pensei naquela altura!!! Nestes tempos, em que passo pouco tempo em Lisboa, nem me lembro do objecto de museu que tenho em casa! A minha TV está sempre no mesmo canal e uma mudança tem que ser muito bem pensada. Nunca tenho a certeza se consigo voltar a sintonizar o canal original. É claro que nesta casa toda a gente entra a preto e branco, o que dificulta muito a identificação das equipas nas competições desportivas. Por outro lado às vezes faço comentários estranhos: “Aquela actriz veste-se sempre com os mesmos tons”. É verdade mas, apenas na minha casa (e em poucas mais). Uma das minhas grandes Alegrias é ter Maravilhosos Amigos com belíssimas televisões onde me encanto com os melhores jogos de futebol (e…como deliciosas sopas)!

Há uns anos atrás o meu sonho era ver televisão no computador portátil e quando comentava isso, os meus amigos olhavam para mim preocupados. (Estará na ficção cientifica?!). Hoje podemos ver TV em quase todo o lado mas, a minha escolha continua a ser…estar Off!

terça-feira, 20 de julho de 2010

“Da Mão Para a Boca”

Não estava fácil a escolha do tema para o texto desta semana! (Tenho tantas coisas sobre as quais me apetece escrever…). O tema livros é sempre um bom tema. Recentemente andei de novo pelas feiras do livro. Grande perigo€! Este ano andei duas vezes na Feira do Livro de Coimbra, passei pela Feira do Livro de Braga (infelizmente não a visitei por falta de tempo), fui um dia à Feira do Livro de Lisboa e passei muito rapidamente pela Feira do Livro do Porto.

O objectivo do ano é muito ambicioso: ler 40 livros. (Até ao momento apenas li 10 livros e por isso este Verão promete!). Nesta primeira metade do ano os meus livros sofreram com a “concorrência desleal”: demasiadas horas passadas na estrada, imperdiveis jogos de futebol, trabalhos de casa de alemão, preparação de aulas, etc., etc., etc.. Pelo menos gostava de conseguir ler este ano mais livros do que li no ano passado: 27 (já pareço muitas outras pessoas deste pais que trabalham para alegrar estatísticas!!!). Se passar a ler apenas livros com 20 páginas vou melhorar bastante os números. Melhor, vou começar a comprar livros á página. Já me imagino a dizer: “Queria 10 páginas do livro azul, 5 páginas do livro amarelo e 25 páginas do livro verde, por favor. Quanto é?”. Não se espantem se, dentro de umas semanas, numa visita a uma qualquer praia deste lindo pais me encontrarem, na areia, com uma estante de livros ao lado! Não, não preciso de tratamento. Sou, simplesmente, “louca por livros”. Quando, em criança, os meus Pais me deram o primeiro livro não sonhariam as consequências desse gesto…

Não posso (nem devo) terminar este texto sem falar de um dos meus livros do ano: “Da Mão Para a Boca” é (mais) um maravilhoso livro do escritor Paul Auster. Descreve um sonho que também é meu (mais um!): ser alimentada pela minha mão esquerda. O que significa isto?! Pois bem, uma coisa muito simples: conseguir alimentar-me com o dinheiro ganho a escrever (escrever). Sou (e estou) consciente que este é um sonho muito difícil mas, como não é um sonho impossível existirá enquanto eu existir… Frequentemente, nas minhas viagens, tenho que parar para escrever (tenho tanta coisa na cabeça que já não cabe lá!). É vulgar (normal?) parar nos parques das auto-estradas, ás saídas das portagens ou nas estações de serviço, e pôr a minha mão esquerda a trabalhar. Cada vez que meto a mão nos bolsos de um dos meus casacos, fico “assustada” com a quantidade de pequenos papeis, com apontamentos, que encontro. O grande desafio é, normalmente, transformá-los em textos “publicáveis” em “O Despertar”. Á semelhança do que acontece com Paul Auster também vivo o desafio de conseguir alcançar o equilíbrio entre tempo e dinheiro. Há alguns anos atrás aprendi, com o meu “Pai Holandês”, uma coisa que nunca mais esqueci: “Tempo não é dinheiro, tempo é…Vida”. Isto significa que o equilíbrio que procuro é entre Vida e Dinheiro. Mais trabalho (ou outro trabalho) significa mais dinheiro mas, significa menos tempo (e assim menos Vida). Não vale a pena ter mais dinheiro e não ter tempo para o gastar e é uma pena quando se tem tempo e não há “caroço” para o saborear. O livro “Da Mão Para a Boca” termina de uma maneira que dá que pensar: “Chegava de escrever livros por dinheiro. Chegava de me vender.” Também eu escrevo (e escreverei) para “…criar uma alternativa para ser feliz”.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Economia, o Basquetebol e eu

A Economia é uma ciência (social) que nos ensina a escolher a melhor alternativa de aplicação de recursos que são escassos (e que têm usos alternativos). Esta definição parece simples mas, na verdade um economista vê-se frequentemente confrontado com o dilema da decisão. A Economia foi a minha escolha em termos de formação mas, a minha carreira profissional têm-se desenvolvido no “mundo das empresas”.

O Basquetebol foi o desporto ao qual me dediquei. Desde criança comecei a ir para o Pavilhão “bater umas bolas”. O jogador que mais admirava vestia a camisola com o nº10: Eustácio Dias. Foi por sua causa que também eu vesti sempre a camisola com esse número. Ainda hoje, o número 10 é muito especial para mim! A Economia e o Basquetebol começaram a misturar-se assim que terminei os meus estudos e iniciei a minha carreira profissional. Deixei de jogar no campo mas comecei a “jogar” na empresa. O Basquetebol está presente no meu dia-a-dia de trabalho há mais de 15 anos! Nos últimos dias terminei dois livros de que muito gostei e que falam da saudável mistura: Economia e Basquetebol. “Voando com os Pés na Terra” é um livro do Professor António Câmara, fundador da empresa YDreams e Professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa. Ao longo das páginas deste livro, que confesso ter devorado, li com muita alegria que o Basquetebol é uma “escola de gestão”. Não podia estar mais de acordo! Quem pratica (a sério) este desporto aprende o culto pela excelência, a importância da dedicação, o gosto pela paixão, o valor da coragem, a força da imaginação e, sobretudo, o significado das palavras respeito e responsabilidade. O outro livro chama-se “Gerir é Treinar” e foi escrito pelo Prof. Jorge Araújo, um dos treinadores (e gestores) portugueses que mais respeito me merece. Só o título deste livro já me entusiasmou e ao longo das suas páginas fiz um autêntico treino de gestão. Este livro é muito leve mas, muito interessante.

Eu, esta manhã tive a força de vontade suficiente para ir “atirar umas bolas” e confesso-me surpreendida e alegre com as novas tabelas que encontrei no bairro (milagre pré-eleitoral?!). Depois de todos estes anos cheios de “cestos” posso dizer que devo muito ao Basquetebol… (Agora é tempo de começar a retribuir, na Associação de Basquetebol de Coimbra, o muito que tenho recebido!).